Nota de imprensa de maio

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Nota de imprensa de maio

A segurança dos Faroleiros em pandemia COVID-19

Enfrentamos nos dias de hoje algo para o qual ninguém estava preparado, de repente assistimos a mudanças drásticas no nosso modo de vida, com restrições de vária ordem e a implementação de medidas quase extremas, para que se salvaguarde uma parte da população dos efeitos desta pandemia COVID-19, enquanto uma pequena parte da população se mantém no seu posto de trabalho, uns a lutar para salvar vidas, outros a garantir para que nada falhe ou falte.

É neste último grupo que se incluem os Faroleiros, profissão estabelecida oficialmente no nosso país a 1 de fevereiro de 1758, habituados ao isolamento, em situações de quase confinamento, falta de meios e outras situações de vária ordem, mas sem nunca vacilar. Mantêm com dedicação e empenho os assinalamentos marítimos de ajudas à navegação em todo o território nacional, 24 horas por dia, 365 dias por ano. Enquadrados nos dias de hoje na Autoridade Marítima Nacional.

Quando perante esta pandemia o país, e o mundo, quase que pararam, eles não, e ainda se encontram operacionais e até à data, sem casos positivos confirmados ao COVID-19.

A importância do mar para Portugal é fulcral, e é por demais evidente que a nossa economia muito depende dos nossos portos, estando alguns entre os principais da Europa e do Mundo, tanto no tráfego comercial como de lazer. Segundo dados de 2016, o mar português dá trabalho a 105 mil pessoas e representa uma riqueza anual de 8 mil milhões de euros.

Para garantir a segurança de todo este tráfego marítimo, Portugal dispõe de um avançado sistema de Ajudas á Navegação, composto por Faróis, Farolins, Boias, AIS, e outros meios eletrónicos. Todos eles operados e mantidos pelos Faroleiros, que diariamente os vão controlando, vigiando, mantendo e corrigindo, para que nada falhe, não se verifique a perda de navios, mercadorias, e principalmente vidas humanas, e ainda se proteja o meio ambiente evitando desastres ecológicos, para que tudo chegue a salvo e em boa hora aos lares dos Portugueses.

O trabalho do faroleiro não se restringe apenas ao farol, ele estende-se por uma vasta área geográfica onde estão inseridas várias destas ajudas á navegação, área essa que invariavelmente se estende por várias dezenas de quilómetros, pois a costa Portuguesa está integralmente coberta por essa rede. Não é mais a costa negra de um passado longínquo. Do seu bom desempenho depende a segurança marítima e por sua vez a economia nacional, visto que pelos portos nacionais circula cada vez mais uma importante fatia do movimento de mercadorias, bens e pessoas.

Nos dias que correm em plena pandemia e ainda com o atual risco de contágio, é por demais evidente, que manter estes profissionais na sua plenitude das suas capacidades é fulcral e essencial para o bom funcionamento de todos estes sistemas de Ajudas à Navegação.

Os faróis que nos últimos anos têm granjeado popularidade, em muito devido ao o incremento do número de visitas na rotina diária dos faroleiros, quer por escolas, quer por entidades, ou pelo comum visitante nacional ou estrangeiro, muitas das vezes com acréscimo de trabalho nas já muitas horas laborais despendidas por estes profissionais e em muitos desses faróis com dificuldades a nível estrutural para acolher bem os visitantes, porque os centenários faróis, imagine-se, não foram construídos originalmente para esse efeito.

Neste contexto atual de pandemia viral, e no entender da ASPFA – Associação Sócio-Profissional dos Faroleiros, não estão ainda reunidas todas as condições essenciais para receber visitas de qualquer ordem nos Faróis de Portugal. Segundo relatos chegados a esta Direção, proveniente dos nossos associados, haveria (ou há) a intenção por parte da AMN de proceder á abertura dos faróis a visitas. Este facto, causou muita perplexidade a esta Direção, pois entendemos que não estão minimamente reunidas as condições de segurança, de acordo com as recomendações veiculadas pelo Governo e pela DGS. Inclusive, não indo ao encontro das indicações administrativas de topo da Autoridade Marítima Nacional / Marinha que de acordo com informações de divulgação emanadas internamente, afirmam que é prioridade do Almirante CEMA e AMN «Salvaguardar a saúde do pessoal e das suas famílias contribuindo para a preservação da saúde pública e garantir a continuidade do cumprimento da missão da Marinha e da AMN».

Poderíamos aqui enumerar uma lista de pontos que impossibilitam nesta fase da pandemia abrir os faróis a visitas. Ao que parece, não existe um plano de contingência para os faróis, na medida que, se por exemplo uma equipa ficar em isolamento profilático, quem a vai substituir? Ninguém sabe!

Estamos atentos e a acompanhar os desenvolvimentos que decerto irão ocorrer nos próximos dias. Por certo que a tutela estará atenta, e que poderá optar pelo racional e óbvio, que é o de manter a integridade dos Faroleiros, não os expondo em demasia aos riscos inerentes a receber visitantes em espaços bastante confinados, pois em média, as lanternas da maioria dos faróis tem áreas uteis inferiores a 15m2, sendo impossível manter os distanciamentos recomendados pela DGS.

Quando tudo estiver bem, esse tempo de visitas de cultura e lazer chegará, e com naturalidade haverá espaço e tempo para se mostrar aos visitantes, que demandam os faróis nacionais, revelar para que serve um Farol, a sua longa história, quem é, e o que faz o homem que todos os dias lhes alumia a vida na penumbra da noite.

Paço de Arcos, 18 de maio de 2020

A Direção Nacional da ASPFA

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